Trabalhadores e estudantes relatam longas esperas, viagens demoradas e veículos lotados; para muitos, o deslocamento diário consome até quatro horas entre ida …
Atrasos, ônibus lotados e longas esperas transformam transporte público em pesadelo na Capital

Foto: Foto: Henrique Kawaminami.
Utilizar o transporte coletivo em Campo Grande tem sido um desafio diário para milhares de passageiros. Atrasos, superlotação, longos períodos de espera nos pontos e terminais e dificuldades nas baldeações fazem parte da rotina de quem depende dos ônibus para trabalhar ou estudar.
Uma reportagem acompanhou a rotina dos usuários e encontrou relatos de passageiros que chegam a gastar até quatro horas por dia no deslocamento entre casa e trabalho ou instituição de ensino.
A situação ocorre em meio às discussões sobre o futuro do Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do transporte coletivo da Capital, e às movimentações envolvendo a possível venda da empresa.
Um dos episódios acompanhados ocorreu no Terminal Morenão, por volta das 17h50. Após desembarcar, o passageiro precisou fazer baldeação para a linha 087, mas encontrou mais atraso e um ônibus completamente lotado.
A situação chegou ao ponto de passageiros ocuparem os degraus próximos à porta de desembarque, apesar de um aviso no próprio veículo alertar sobre a proibição dessa prática.
Passageiros relatam desgaste diário
Entre os mais de dez passageiros entrevistados, muitos relataram que precisam reservar aproximadamente duas horas para chegar ao destino e outras duas para retornar para casa.
O tempo é consumido não apenas dentro dos ônibus, mas também nas esperas nos terminais, nas baldeações e nas caminhadas entre os pontos e as residências.
Para enfrentar a demora, alguns passageiros procuram ocupar o tempo ouvindo música, acompanhando as redes sociais ou até estudando durante o trajeto.
A vendedora e estudante Karolayne Recalde utiliza o próprio deslocamento para acompanhar o curso teórico necessário para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A intenção é conquistar mais autonomia e deixar de depender do transporte coletivo, planejando futuramente utilizar uma motocicleta.
Ela conta que utiliza os ônibus há mais de dez anos e percebe uma piora no serviço.
Segundo Karolayne, os atrasos e a falta de veículos fazem parte da rotina dos passageiros. Para ela, é necessário ampliar a frota e contratar mais motoristas para melhorar o atendimento.
Trabalhadores precisam sair de madrugada
A dificuldade também faz parte da rotina de quem trabalha na construção civil.
O pedreiro Ivan das Neves utiliza a linha 061 e enfrenta dificuldades para cumprir o horário de trabalho em uma construtora localizada na região central de Campo Grande.
Morador do Parque do Sol, ele precisa sair de casa entre 4h e 5h30 da manhã, passando pelo bairro Aero Rancho, para conseguir chegar ao trabalho às 7h.
A falta de previsibilidade dos horários torna o planejamento diário ainda mais difícil, obrigando os passageiros a sair de casa com bastante antecedência para evitar atrasos.
Transporte coletivo continua sendo desafio na Capital
Os relatos evidenciam o impacto do transporte público na qualidade de vida dos moradores de Campo Grande.
Para quem depende exclusivamente dos ônibus, o tempo gasto nos deslocamentos representa menos horas de descanso, convivência familiar, lazer e estudo.
Enquanto as discussões sobre o futuro do sistema avançam, os passageiros continuam enfrentando diariamente os problemas de atrasos, superlotação e longas esperas.
A melhoria do transporte coletivo permanece entre as principais demandas da população da Capital.




