Andrey Elesbão Silva foi preso preventivamente durante a Operação Ifrit, da Polícia Federal; Corregedoria determinou recolhimento da arma funcional e suspensão dos acessos aos sistemas policiais.
Investigador preso em operação que apura esquema de R$ 500 milhões é afastado em MS

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul determinou o afastamento compulsório do investigador Andrey Elesbão Silva, preso preventivamente durante a Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4).
A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (5) e permanecerá em vigor enquanto durar a prisão preventiva do servidor.
Andrey integra o quadro efetivo da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) e estava lotado no Grupo de Operações e Investigações (GOI), da Polícia Civil.
Além do afastamento, a portaria determina o recolhimento da arma, da carteira funcional e de outros bens públicos que estavam sob responsabilidade do investigador. Também foram estabelecidas a suspensão de senhas e a retirada dos acessos aos sistemas e bancos de dados policiais, entre eles o Sigo e o Infoseg.
A decisão foi assinada pelo corregedor-geral da Polícia Civil, delegado Clever José Fante Esteves. Conforme o documento, a medida administrativa foi adotada em razão da decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, que decretou a prisão preventiva do servidor.
A portaria também estabelece que os fatos identificados nas investigações federais serão encaminhados para apuração disciplinar no âmbito da Corregedoria da Polícia Civil.
Operação Ifrit investiga esquema de tráfico e lavagem de dinheiro
A prisão do investigador ocorreu durante a Operação Ifrit, da Polícia Federal, que tem 29 alvos e investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico transnacional de drogas, comércio internacional de armas e lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos 76 mandados judiciais, sendo 25 de prisão, em Mato Grosso do Sul e outros seis estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.
Segundo a Polícia Federal, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 500 milhões em um período de dois anos.
As investigações apontam que Mato Grosso do Sul era utilizado como uma das principais portas de entrada para o mercado clandestino de drogas e armas. A organização teria atuação na região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, além de ramificações em diferentes estados brasileiros.
A apuração também identificou suspeitas de participação de policiais civis, militares e de um policial rodoviário federal no esquema criminoso.
Investigação envolve desvio de cocaína da Denar
A Operação Ifrit também está relacionada às investigações sobre o suposto desvio de cocaína apreendida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
O caso envolve o período em que a unidade era comandada pelo delegado Hoffman D’Ávila Candido e Sousa, preso em setembro durante a Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Conforme informações da Polícia Federal, Hoffman é suspeito de obter aproximadamente R$ 15 milhões com a comercialização de entorpecentes que teriam sido desviados do depósito da Denar.
A investigação aponta que cerca de duas toneladas de cocaína teriam sido retiradas do local e posteriormente revendidas.
As apurações buscam esclarecer a participação dos envolvidos, a dimensão da estrutura criminosa e a possível atuação de agentes públicos no esquema.




