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Força Nacional reforça segurança em aldeias de MS após ameaças contra indígenas

Agentes começaram a atuar nas comunidades Sassoró, Taquaperi e Limão Verde, em três municípios do sul do Estado. Caso ganhou repercussão nacional …

Força Nacional reforça segurança em aldeias de MS após ameaças contra indígenas
Agentes começaram a atuar nas comunidades Sassoró, Taquaperi e Limão Verde, em três municípios do sul do Estado. Caso ganhou repercussão nacional após denúncias de intimidação e ameaças contra indígenas.A Força Nacional iniciou, na noite desta quinta-feira (29), o policiamento em três comunidades indígenas do sul de Mato Grosso do Sul. A operação foi mobilizada após uma série de denúncias de ameaças, intimidações e manifestações racistas contra povos tradicionais, registradas nos últimos dias.A presença dos agentes foi anunciada pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, que divulgou imagens das equipes em atuação nas redes sociais. O reforço de segurança contempla as aldeias Sassoró, em Tacuru; Taquaperi, em Coronel Sapucaia; e Limão Verde, em Amambai.A mobilização do governo federal ocorre em meio à repercussão nacional de denúncias de violência e ameaças contra comunidades indígenas, que ganharam força após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Áudios com ameaças provocaram mobilização das autoridades

Um dos episódios que motivaram a mobilização ocorreu em Tacuru, município localizado a aproximadamente 420 quilômetros de Campo Grande.Áudios atribuídos a dois servidores municipais vieram a público e provocaram indignação. Nas gravações, os funcionários fazem declarações ofensivas contra indígenas. Em um dos trechos, um deles chega a sugerir colocar veneno na água consumida pelas comunidades.O conteúdo foi divulgado na segunda-feira (26) pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ampliando a repercussão do caso.O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que os envolvidos nas gravações são servidores das secretarias municipais de Meio Ambiente e Infraestrutura. Um deles trabalhava com caminhões utilizados no abastecimento de água das comunidades indígenas.Inicialmente, o prefeito atribuiu as declarações ao consumo de álcool e à euforia provocada pelo resultado eleitoral. Na quinta-feira, entretanto, a prefeitura informou o afastamento dos dois servidores e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta dos envolvidos.

MPF e Defensoria cobram providências

As denúncias também mobilizaram órgãos federais.O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento e estabeleceu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru prestasse esclarecimentos sobre os responsáveis pelas gravações e as providências adotadas para garantir a segurança das comunidades indígenas.A Defensoria Pública da União (DPU) também passou a acompanhar o caso e cobrou a responsabilização criminal dos envolvidos.Entre as medidas recomendadas pela instituição estão ações de proteção aos moradores da aldeia Sassoró, com atenção especial à segurança da população e à vigilância sanitária dos recursos hídricos utilizados pela comunidade.

Governo federal cria força-tarefa para investigar ameaças

Na quinta-feira, o ministro Eloy Terena anunciou a criação de uma força-tarefa envolvendo os ministérios dos Povos Indígenas, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.A iniciativa tem como objetivo receber, organizar e encaminhar denúncias de violência contra comunidades indígenas aos órgãos responsáveis pela investigação.Segundo o ministro, uma equipe foi designada pelo governo federal para identificar os denunciados e encaminhar as informações às autoridades competentes.Eloy também confirmou que a Polícia Federal já instaurou inquéritos para investigar parte dos casos recebidos. Entretanto, não informou quantos procedimentos estão em andamento.As denúncias não se limitam a Tacuru. O Ministério dos Povos Indígenas também recebeu relatos de ameaças em Amambai, Naviraí e na região de Sidrolândia.Em entrevista ao Campo Grande News, o ministro afirmou que outras comunidades passaram a encaminhar mensagens, gravações e imagens relatando episódios de intimidação. Nem todas as denúncias, porém, foram confirmadas pelas autoridades.Em Naviraí, por exemplo, o MPF analisou relatos de supostos ataques contra indígenas relacionados ao resultado eleitoral, mas não encontrou elementos suficientes para confirmar motivação política ou étnica nos episódios investigados.O governo federal também anunciou a criação de um canal direto pelo WhatsApp para receber denúncias e solicitou às corregedorias estaduais informações sobre ocorrências de violência registradas desde as eleições.

MS aparece entre os estados com mais registros de violência política

Um levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgado na quarta-feira (28), identificou 45 crimes de violência política no Brasil desde sábado (24). Os registros contabilizam 47 vítimas e dez mortes, sendo três delas de pessoas indígenas.Mato Grosso do Sul apareceu como o terceiro estado com maior número de ocorrências notificadas, atrás apenas do Paraná e de São Paulo.Os dados, entretanto, abrangem diferentes modalidades de violência política e não se restringem a ataques contra comunidades indígenas.

Força Nacional reforça proteção às comunidades indígenas

A chegada da Força Nacional às aldeias Sassoró, Taquaperi e Limão Verde representa o início do reforço ostensivo de segurança anunciado pelo governo federal.A atuação dos agentes ocorre enquanto a Polícia Federal, o Ministério Público e os demais órgãos competentes avançam na apuração das denúncias e na identificação dos responsáveis.O caso coloca Mato Grosso do Sul no centro de um debate nacional sobre proteção dos povos indígenas, combate ao racismo e garantia da segurança das comunidades tradicionais.
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