sábado, 7 de novembro de 2026

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Após perder o mandato, ex-presidente do Paraguai é preso e ficará em prisão domiciliar

Ministério Público expediu mandado de prisão após decisão do Senado; investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, tráfico de influência e outros crimes relacionados ao banco Ueno.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também foi sócio do Ueno Bank até 2025

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira (6), em Assunção, pouco depois da conclusão da sessão do Senado que decidiu pela perda de seu mandato. Ele deverá cumprir prisão domiciliar por determinação judicial.

A detenção ocorre no âmbito de investigações sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o banco Ueno. A ordem de prisão foi expedida por quatro promotores do Ministério Público paraguaio responsáveis pelo caso. Agentes da Polícia Federal foram até a residência do ex-presidente logo após o encerramento da votação no Senado.

Segundo o promotor Cristian Benítez, o mandado foi fundamentado, inicialmente, em suspeitas dos seguintes crimes:

  • Lesão de confiança;
  • Tráfico de influência;
  • Administração para proveito próprio.

De acordo com o representante do Ministério Público, as classificações são preliminares. A investigação ainda deverá aprofundar a apuração dos fatos e esclarecer as circunstâncias específicas de cada possível crime.

Participação financeira no banco Ueno

A situação financeira de Peña também está entre os pontos analisados pelos investigadores. Em 2023, o então presidente declarou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente R$ 5,41 milhões. Ele informou ter vendido sua participação em abril de 2025.

Na mesma declaração patrimonial, Peña também informou possuir um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis (cerca de R$ 2,11 milhões) no banco Ueno, além de um título da empresa Itti, especializada no desenvolvimento de softwares financeiros.

Outro ponto que integra o contexto da investigação é a participação do irmão do ex-presidente na U Holding SARL. A empresa seria utilizada pelo grupo para controlar o Ueno Bank.

O caso amplia a crise política e financeira no Paraguai e coloca sob investigação as relações entre o ex-presidente e o grupo empresarial ligado à instituição financeira.

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