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‘Mal tenho dinheiro para comer esse mês’, lamenta motorista do Consórcio com salário atrasado

Além dos motoristas, mecânicos, borracheiros e a equipe de manutenção também estão com a remuneração de novembro em atraso

Campo Grande revive a histórica marca de três dias de greve, como em outubro de 1994. Nesta quarta-feira (17), a frota do Consórcio Guaicurus não saiu da garagem pelo terceiro dia consecutivo de paralisação dos motoristas, que lutam para receber o salário integral em atraso.

Preferindo o anonimato, um dos motoristas relata que a geladeira começa a ficar vazia e as contas estão se acumulando. Para ele, é inviável retornar ao trabalho sem ter sequer condições de pagar o combustível da moto.

“Mal tenho dinheiro para comer esse mês; só tenho [cartão de] crédito porque paguei com a metade daquele pagamento [50% pago na última sexta-feira (12)]. É impossível voltar a trabalhar assim. Como que trabalha desse jeito, por 10h? Em jejum?”, descreve.

Outro motorista diz que não há qualidade de vida para retornar sem o pagamento, pois não tem nem produtos de higiene em casa. “Não tem mais de onde tirar sustento. A gente não tem prestobarba; tem que tomar banho. Daqui a um dia, a gente vai chegar fedido e sujo lá. É fácil falar andando de carro blindado e com ar-condicionado.”

motoristas
Motoristas deixaram plenário após desembargador cobrar retorno das atividades. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Outros setores com atraso no pagamento

Outro funcionário afirma que toda a equipe de manutenção, mecânica e borracharia também está com os pagamentos referentes a novembro em atraso.

“Tem colega que está com a luz e a água cortadas. Tem colega cuja criança está de férias em casa. A gente precisa comprar alimento, remédio. Ninguém diz nada sobre a previsão de pagamento.”

Condições psicológicas abaladas

O presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande), Demétrio Freitas, afirmou que os trabalhadores do Consórcio Guaicurus não têm condições psicológicas para retornar ao serviço, mesmo após a decisão da Justiça do Trabalho que impôs a retomada de 70% das atividades e multa diária de R$ 200 mil em caso de descumprimento.

A Capital entra no terceiro dia de greve do transporte coletivo urbano. Os trabalhadores reivindicam o pagamento do salário de novembro, do adiantamento e do décimo terceiro salário.

A declaração foi feita durante audiência de conciliação no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 24ª Região, em Campo Grande, na tarde desta terça-feira (16).

Demétrio Freitas respondeu à pergunta do desembargador César Palumbo Fernandes sobre o descumprimento da decisão que determinou o retorno às atividades. Fernandes reclamou da dificuldade de entrar em contato com o presidente do sindicato pelo celular e classificou o descumprimento da decisão judicial como “crime de desobediência”.

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