#CAPA

Sem nova conciliação, greve da Caixa deve seguir direto para julgamento no TST

Greve da Caixa chega ao 17º dia sem acordo, e dissídio será julgado na terça-feira (29)

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal chegou ao 17º dia neste sábado (26) sem acordo entre o banco e as entidades que representam os trabalhadores. Uma nova tentativa de conciliação, aberta pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), não avançou após a Caixa informar que não tinha interesse em uma solução consensual.

O impasse ocorre após uma série de tentativas de negociação. Na quarta-feira (23), a vice-presidência do TST realizou uma audiência de mediação entre a Caixa, a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT) e a Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito).

A reunião havia sido solicitada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), que buscava uma solução para o conflito. Apesar das tratativas, não houve acordo. Na ocasião, o TST informou que as partes poderiam buscar uma composição a qualquer momento.

Nova tentativa também não avança

Na sexta-feira (25), o ministro Maurício Godinho Delgado, relator do dissídio coletivo de greve, determinou que Caixa e entidades representativas informassem, até as 18h, se tinham interesse em uma nova solução consensual para o conflito.

Caso houvesse interesse do banco, uma audiência de conciliação seria realizada neste sábado (26), às 13h30, em Brasília. Os sindicatos se mostraram favoráveis a uma nova conciliação; contudo, a Caixa não manifestou interesse.

Com isso, a tendência é de que o dissídio coletivo siga diretamente para julgamento no TST. A sessão está marcada para terça-feira (29), a partir das 14h30. Caso não haja acordo até lá, deverá ser proferida uma sentença normativa para definir as regras que serão aplicadas à categoria.

TST determinou retorno de 60% dos empregados

Enquanto a greve continua, o TST determinou que pelo menos 60% dos empregados da Caixa permaneçam em serviço em cada agência, de maneira presencial ou remota. A decisão do ministro Delgado estabeleceu que, em caso de descumprimento, a entidade sindical responsável estará sujeita a multa diária de R$ 100 mil.

As entidades representativas dos trabalhadores afirmam que defendiam a continuidade das negociações e uma solução construída entre as partes. Segundo o movimento sindical, a Caixa optou por levar a discussão ao Judiciário em vez de manter as tratativas para a renovação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) específico dos empregados.


Presidente do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região, Neide Rodrigues, afirmou que cabe à Caixa controlar o cumprimento da decisão judicial, mas ainda não há uma definição sobre o retorno das atividades.

“Essa decisão judicial determina o retorno de 60% e tem que ser cumprida. O controle dessa quantidade é da direção do banco. O sindicato não sabe quantos estão trabalhando e quantos estão realmente em greve. Cabe ao banco fazer esse controle, porque não existe piquete ou qualquer tipo de impedimento aos funcionários”, explicou.

Sindicato critica postura da Caixa

Em nota, o SEEBCGMS (Sindicato dos Bancários de Campo Grande-MS e Região) manifestou repúdio à condução das negociações pela Caixa. Segundo a entidade, o Comando Nacional dos Bancários e a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa estavam dispostos a continuar as negociações, mas a direção do banco optou pelo ajuizamento do dissídio coletivo.

“O que a gente repudia é a postura do banco de não querer fazer nem a conciliação e já ir direto para o dissídio. Essa é a indignação do sindicato, do movimento sindical e também dos trabalhadores da Caixa Econômica”, disse Neide.

A entidade afirma ainda que continuará defendendo o direito de greve e a manutenção dos direitos previstos na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) e no acordo específico dos empregados da Caixa.

Entre os principais pontos de preocupação levantados pelo movimento sindical, estão mudanças propostas pela Caixa em benefícios, participação nos lucros e regras de carreira.

Saúde Caixa

Segundo o resumo divulgado pelas entidades, a proposta encaminhada pela Caixa mantém em 6,5% da folha de pagamento o limite de participação do banco no custeio do Saúde Caixa. A proposta negociada anteriormente previa a elevação desse limite para 9%.

Ao mesmo tempo, a proposta apresentada ao TST prevê aumento do teto de comprometimento da remuneração familiar dos empregados com o plano, de 7% para 9%.

As entidades também questionam a possibilidade de novos reajustes automáticos. Conforme o texto apresentado, mensalidades, coparticipação e limite de comprometimento da renda poderiam ser reajustados para recompor eventual insuficiência atuarial.

Outro ponto é a possibilidade de transferência da gestão do Saúde Caixa para uma entidade associativa externa, com participação majoritária da Caixa. Segundo o movimento sindical, a mudança poderia ocorrer sem discussão prévia com a representação dos empregados.

A proposta também não mantém, segundo as entidades, o compromisso de discutir a isonomia dos empregados contratados após 31 de agosto de 2018. Esse grupo reivindica a manutenção do Saúde Caixa após a aposentadoria, com participação da empresa no custeio.

Mudanças na PLR

A proposta também altera regras da PLR (Participação nos Lucros e Resultados). Entre os pontos questionados está o chamado redutor, aplicado quando o limite global de distribuição é ultrapassado.

Segundo as entidades, a nova regra faria com que a redução atingisse proporcionalmente todos os empregados, inclusive aqueles com menores remunerações.

O movimento sindical afirma ainda que as novas regras poderiam reduzir significativamente o valor distribuído. Em uma simulação feita com os números de 2025, a queda poderia chegar a 54%.

Na PLR Social, a garantia de pagamento de 4% deixaria de constar como um valor assegurado e passaria a ser prevista como pagamento de “até 4%”, condicionado ao cumprimento de indicadores.

Carreira e promoção por mérito

Outro ponto criticado pelas entidades é a retirada de grupos de trabalho e de um calendário permanente de negociações sobre PFG, PCS, PSI, piso de TI, remuneração variável e teletrabalho.

Esses mecanismos tinham como objetivo discutir temas relacionados à carreira, incluindo planos de cargos e salários, funções gratificadas, critérios de ascensão profissional, remuneração variável e regras para o teletrabalho.

Em relação à promoção por mérito, a proposta mantém a previsão de sistemática para 2027 e 2028, mas, segundo as entidades, não incorpora todas as garantias que haviam sido discutidas na mesa de negociação.

Auxílio-creche e babá

A proposta também amplia, segundo o movimento sindical, as restrições para o pagamento do auxílio-creche e babá.

Com as novas regras apontadas pelas entidades, o empregado poderá deixar de receber o benefício caso o outro genitor tenha acesso a benefício semelhante, mesmo que trabalhe em outra empresa.

Sentença pode valer até 2028

Mais um ponto destacado pelas entidades é a duração da eventual sentença normativa. Caso a proposta seja acolhida pelo TST, as relações específicas entre a Caixa e seus empregados permaneceriam submetidas a uma sentença normativa até agosto de 2028, em vez de serem regulamentadas por um novo acordo coletivo negociado diretamente entre as partes.

Sem nova conciliação, greve da Caixa deve seguir direto para julgamento no TST

Dr. Lívio cobra renovação da frota e

Leave a comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *